quarta-feira, 28 de março de 2012

NA SALA DE AULA


INTERTEXTUALIDADE


Comentário sobre o artigo homônimo de Maria Christina de Motta Maia,

por Maria Nunes, aluna do Curso de Letras da FSLF.


Ao “diálogo”  que se dá, entre textos, dá-se o nome de intertextualidade. Em seu artigo “Intertextualidade”, Maria Christina de Motta Maia destaca que o emprego desse recurso comunicativo está ligado ao “conhecimento de mundo”, que deve ser compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de qualquer texto. O uso eficaz desse mecanismo implica, portanto, um universo cultural amplo e complexo. Assim, uma leitura competente de um enunciado complexo exigirá, por parte do seu interlocutor, a identificação ou reconhecimento de possíveis remissões a outras obras ou textos, bem como a capacidade de interpretar a função da citação ou alusão observada.


Entre os tipos de referências textuais possíveis, há provérbios, ditos populares, frases bíblicas ou obras cujo reconhecimento é facilmente perceptível aos interlocutores em geral.

Há, no entanto, certas citações e alusões muito sutis que só são compartilhadas por poucas pessoas. É o caso de referências utilizadas em textos científicos ou jornalísticos e em obras literárias percebidas apenas por um leitor/interlocutor bem informado.

A autora do texto em questão identifica alguns tipos de intertextualidade, entre os quais ela destaca:

- a que se liga ao conteúdo, que pode ser explícita, na forma de citações inseridas entre aspas, ou implícitas, como ocorre nas paráfrases e paródias por exemplo;

-a que se associa ao caráter formal, como as que “imitam” a linguagem bíblica, jurídica, etc;

- a que remete a tipos textuais ligados a modelos e estruturas linguísticas determinadas, tais como as tipologias ligadas a estilos de época.

Segundo a autora, a intertextualidade possui funções discursivas distintas, dependendo dos textos/contextos em que essas referências estão inseridas. Em geral, o autor do texto elege o que é pertinente e condizente com a temática. Existem algumas, todavia, que estão ali apenas para mostrar “conhecimento” de frases famosas e/ou para servirem de “decoração” no texto. Outras vezes, o autor parte de uma frase ou de um verso que ocorreu a ele repentinamente.

Em todos os casos, do ponto de vista da interlocução, o importante é que não se encare a intertextualidade apenas com o sentido de “identificação” da fonte, e, sim, que se procure estudá-la como uma forma de enriquecer a leitura e a prática da produção de textos. Sobretudo, é fundamental que se tente mostrar a função da sua presença na construção e no(s) sentido(s) dos textos.

Um comentário:

  1. excelente artigo,li e gostei pois me ajudou muito na minha reflexão e meu estudo de língua portugues, espero que outros artigos sejam publicados com o mesmo nivel e com a mesma qualidade.
    att.memorial

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