sexta-feira, 9 de março de 2012

NA SALA DE AULA




A LINGUAGEM LITERÁRIA

(por Allan Tenório Bastos de Oliveira, 4º período do curso de Letras )

A literatura pode ser definida como uma instituição social que se desenvolve a partir de uma linguagem artística, não-científica, em prosa ou em verso, sendo conhecida como uma manifestação poética que tem como matéria a palavra. Quando à sua especificidade, é necessário notar que há uma grande diferença entre linguagem literária, aquela que se caracteriza pela literariedade; e linguagem não-literária, aquela em que predomina a literalidade. Na linguagem literária se destaca a plurissignificação, a conotação e a ambiguidade, sendo o seu sentido literário; Já na linguagem não-literária as palavras tendem a conter um sentido único, isto é, ela tende a ser monossignificativa, predominantemente, denotativa, destacando-se o seu sentido literal. São exemplos de gêneros poéticos o conto literário, o poema, o romance etc. São exemplos de modalidades não literárias textos de cunho científico ou histórico, nos quais a objetividade e o propósito informativo predominam. Não se trata, nesse caso, de fazer ficção, mas relatar os fatos de maneira objetiva, sem ambiguidade, evitando-se a conotação.
De acordo com as idéias dos formalistas russos - discutidas no livro Teoria da Literatura: uma Introdução, de Terry Eagleton, especificamente, no capítulo O Que é Literatura - a literatura existe apenas na forma escrita, caracterizando-se por um desvio das normas padrão da língua. Isto é, de acordo com esse ponto de vista, a linguagem literária resulta de uma espécie de violência contra as formas usuais do idioma, isto é, de uma espécie de violência linguística, que se opera no intuito de tornar  a linguagem estranha. Assim, de acordo com formalistas como Jackobson, a literatura deve promover um efeito de estranhamento e desfamiliarização em relação à linguagem cotidiana, produzindo, a arte literária, uma revolução artística capaz de renovar a escrita.
Ainda no capítulo O Que é Literatura?, presente no livro Teoria da Literatura: uma Introdução, também fica subentendido que uma pessoa pode ler Os Sertões, de Euclides da Cunha, ou a Bíblia como livros de história, utilizando-os como fonte de informação sobre os acontecimentos passados. Ao consumir essas obras com esse fim, o leitor buscará nelas o seu sentido literal. Porém, outros leitores podem ler as mesmas obras levando em conta o seu sentido literário, entregando-se ao poder que elas têm de provocar a emoção estética. Destaca-se, nesse caso, o caráter poético dessas obras, isto é, a literariedade. Assim, de acordo com Terry Eagleton, a definição do que é literatura pode variar de acordo com  a perspectiva do leitor e com as condições de produção da leitura. Ou seja, conforme essa perspectiva, é possível se considerar uma mesma obra como literária em determinado período histórico e como não-literária em outro.
Para o linguista Roland Barthes, a literatura dá liberdade para o indivíduo escrever, enquanto a língua obriga o indivíduo a falar. Talvez Barthes estivesse certo quanto a isso, pois notamos que a literatura possui como característica, como peculiaridade, a autonomia. Isso quer dizer que não existe uma Gramática Normativa para a linguagem literária, mas uma Gramática Normativa para a língua matriz. Finalizando, podemos dizer que a literatura recria a realidade, sendo que essa recriação se dá a partir da recriação da linguagem, isto é, que a linguagem literária tem como objeto o código lingüístico, ou seja, que a obra literária tem como matéria prima, não os fatos que compõem a realidade em si, mas a palavra.

REFERÊNCIAS:

http://teorialiterariaufrj.blogspot.com/2009/07/linguagem-literaria.html
http://www.ufrgs.br/proin/versao_1/linguagem/index08.html
EAGLETON, Terry. Teoria da Literatura: Uma Introdução. São Paulo. Martins Fontes, 2003. 

2 comentários:

  1. A Literatura é o meio que o homem encontrou para comunicar-se consigo mesmo.

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  2. A Literatura é considerada a arte da linguagem verbal que explora todas as potencialidades de comunicação e expressão.

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